sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Prendi um pássaro

Eu prendi um pássaro. 
Prendi um pássaro lindo, que em um dia de fim de semana veio cantar na minha janela. 
Ele é exuberante, com penas douradas de riso e conversa fiada.
Tem os olhos castanhos mais deliciosos que já vi e o timbre do seu canto é sem dúvidas, um deleite para os meus ouvidos.
Eu prendi ele na gaiola acolchoada do meu coração e desde então alimento ele com meus devaneios mais secretos. Crio para nós dois histórias coloridas e intensas. Me perco nos dias, sonhando acordada e sentindo na pele branca o arrepio das intenções que eu quero entregar a ele.
Eu prendi esse pássaro no limite da minha imaginação e lá eu finjo que ele é só meu. Finjo o tempo todo que sou sua preferida, a escolhida e a esperada.
Ele esperou pouco e eu cheguei atrasada. Talvez perdi um tempo irrecuperável, irrevogável e distante. Talvez faltou tempo para ele, e ele nem pense em fazer morada nessa gaiola aqui.
Eu prendi um pássaro, mas não tranquei a gaiola. Eu deixei a porta aberta e eu sei que em algum momento ele vai voar.

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