sábado, 3 de outubro de 2026

Ele era feito de noite

Eu estive longe. Estive em um universo fora do tempo e espaço, onde o medo era faz de conta e as paredes não existiam.
Os tons de púrpura se misturavam com a escuridão e o brilho dourado das pequenas luzes, liberavam gotas de mistério. 
Sentada e distante, eu o admirava. Ele era feito de noite, a mais doce, a mais perigosa. Feito de tempestade e de ventania, a mais fresca, a mais livre. 
Sua boca rugia canções em tons de estrelas e a sua força me atraía para ele. 
Ele era feito de ferro, de mar e de notas musicais desconhecidas. Eu apenas o admirava, de longe, em silêncio e sem expectativas.
Não o podia tocar, não o podia ter, pois a noite sempre vai embora e o universo se derrama em passado. Ele sempre vai ser inalcançável, intocável e desfeito pra mim.
Ele sempre vai ter cheiro de por do sol e beleza de outono. 
Ele tem o toque de mil sinfonias e o abraço,  eu apenas imagino, com calor de um doce aconchego. 

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